sábado, 27 de março de 2010

Estou aqui, parada há longos minutos, tentando escrever algo.
Mas constatei que o que sinto agora não dá mais pra des-cifrar em palavras.

Dói, ao mesmo tempo que tem alegria.
Tem esperança, mas também um acorde menor de

Estranho... Esqueci a palavra.
...
...
...
..
..

sábado, 13 de março de 2010

O maravilhoso Alan Pauls, escritor argentino ("O passado"), ao comentar a vitória de "O segredo dos seus olhos", filme conterrâneo seu, de Juan José Campanella:
"Um filme não costuma ganhar porque é melhor - ele é melhor porque ganha. Os méritos não são a condição da vitória, mas sua consequência retroativa. Ademais, quando as únicas alternativas são ganhar ou perder, qualquer um pode ganhar ou perder."
Assim, desde que estejamos vivos, podemos morrer. Na dúvida, façamos-o intensamente. Acho que Glauco pensava assim.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Os brothers, os bafos e as burradas


Sou uma fã-sem-muito-orgulho do Big Brother Brasil. Daquelas que veem desde a primeira edição, mas, a cada começo de ano, há DEZ anos, diz: "Ah, esse ano eu não vou perder tempo vendo essa porcaria!". E, no fim (seria melhor dizer já no começo), acaba vendo, torcendo, chorando junto. Quem não gostaria de participar daquilo?

Mas, calma lá, não é essa a questão que quero levantar aqui - aliás, muito ultrapassada. O que quero falar é de uma das polêmicas que a edição 10 tem gerado: o casal Michel-Tessália.

Todo mundo já sabe que ele, editor de sites de fotos eróticas, tinha uma namorada, Karen, e que, em poucos dias de confinamento, não resistiu à chegada-chegando de Tessália, a Twittess do Twitter: os dois agora são unha e carne no programa, e anteontem já foram até flagrados em momentos mais íntimos sob o edredom.

Acontece que não só a sister é twitteira: a ex do loiro também é. E ela, claro, desabafou em menos de 140 caracteres um mínimo dos sentimentos que deve ter sentido quando, em rede nacional, se viu pura e totalmente traída pelo namorado.

Pronto. Virou comoção. Foi entrevistada no Fantástico e posou para o Paparazzo, linda e maravilhosa e com pouca roupa. Muitas mulheres já tomaram as dores, aderiram à campanha e não querem de jeito nenhum dar o R$1 milhão e meio para o casal.

E eu? Eu obviamente também tomei, de certo modo, as dores da Kaka. Principalmente se eu lembrar (e eu nunca lembro, porque nunca esqueço) que o heartbreaker é a cara do meu alvo libidinal. Assim como a maioria de nós, também sei o que é ter que virar a página. Mas é aí que reside a questão: virar a página não é fácil. Não é só umedecer a ponta dos dedos e, num levo movimento, vum!, virá-la. E esse processo é facilitado com um mínimo de compreensão por parte das pessoas ao nosso redor.

Acontece que, ao redor de uma figura pública, o que há? O Brasil inteiro! E, nessa hora, o que fazer? A partir do momento em que pessoas que você nem conhece passam a saber de sua intimidade, fica difícil passar por uma etapa em que, para superar, você precisa reencontrar a si mesma. E isso é algo que não estamos deixando que Karen enfrente. Ela tem todo o direito de enfiar o pé na jaca, mas nós não precisamos colocar a fruta à disposição do pé dela, como uma bola de futebol americano.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Mitos do amor


A IstoÉ desta semana traz nove mitos sobre o amor, aparentemente postos em terra por pesquisas científicas. Dentre eles, encontram-se: "Homens dão mais valor à parte física das mulheres e as mulheres ao status social dos homens"; "Relações proibidas são mais empolgantes"; "O romance e a paixão desaparecem com o tempo"; "O fim de um relacionamento é mais difícil para quem ainda está apaixonado"; "Brigas e críticas minam o casamento".

Honestamente, não sei se uma única pesquisa poderia explicar o que há detrás de tantas ideias vastamente disseminadas - e, portanto, a sabedoria popular ou senso-comum, alvo das refutações científicas. Entretanto, é muito claro que uma revista com tema de capa tão atraente venda bastante e sirva para debates entre amigos ao longo da semana.

Quanto a mim, aproveitei para ler sobre cada um dos nove mitos, me detendo especialmente no último: brigas e críticam minam o casamento (estendendo-o por conta para qualquer status de relacionamento amoroso). Sobre esta ideia, hoje se sabe que é muito pior esconder os sentimentos, e que uma conversa sem violência verbal ou física pode ser muito mais saudável.

Fato é que odeio brigar. Sempre fui da política de que, quando surjam os pepinos, que se os sanem antes de deitar a cabeça no travesseiro (ou as cabeças, para ser mais exata, partindo do talvez possível mito "Quando um não quer, dois não fazem"). Sempre fui ancorada pela fantasia de que, caso acontecesse algo ou comigo ou com a outra pessoa -morrer, no caso -, a outra ficaria para sempre muito arrependida de não ter feito as pazes.
Acontece que, hoje em dia, sei quem nem sempre é possível resolver tudo de um dia pro outro. Porque, adaptando a frase acima, quando um não quer se acertar, dois não se acertam. E sobram motivos para tal: teimosia, imaturidade, vingança, falta de interesse, etc. O difícil é quando a pessoa que quer se acertar fica presa a tais possibilidades e, ao invés de ganhar com a relação, sofre ônus.
Como, eu disse, odeio brigar. Mas o silêncio muitas vezes pode ser necessário para abrir nossos olhos.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Avatar, onde as mulheres não têm vez


Fui (atrasada, ok, mas eu já disse que estou de férias? hehehe) assistir "Avatar" 3D na tarde de ontem. Eu havia lido somente um pouco sobre o filme, e um dos comentários que ficaram gravados foi o de que James Cameron nos deu um "espetáculo para os olhos". Foi com esta expressão na cabeça que preenchi minhas expectativas e coloquei os óculos, no mínimo, empolgada.

Não me decepcionei. O filme é muito bonito e, claro, especialmente as cenas de voo (tanto dos personagens principais e seus animais alados cujo nome não guardei quanto de insetos e dos espíritos da Árvore Mãe). As pinturas de guerra e as tonalidades néon também ajudam muito, bem como os saltos vistos com câmeras ousadas e as cenas em que os avatares e os na'vis andam sobre os galhos a alturas imensas. Mesmo as metralhadoras e seus fogos são bonitas em 3D.

Não há como tirar os méritos de um trabalho tão cuidadoso, tão bem pensado, tão cultivado. Imagino o que deve ser dedicar anos para um projeto: a excitação, a sensação de controle, mas também a sensação de descontrole, o desânimo, a irritação, o enjoo. E, pra tudo dar certo, uma equipe enorme e um cérebro um pouquinho fora do comum (como provavelmente é o de James Cameron, comentário meu sem juízos de valor) contribuem demais.

Agora, a história. A história de Avatar não é mais do que se compreende de "Dança com Lobos", ou até "Pocahontas", ou tantas outras que falam de um intercâmbio cultural e a dificuldade de se entregar ao desconhecido frente a conflitos de interesses. A história feita por poucos, já que, por trás das decisões, existe a massa - o povo que, em uníssono, faz a voz de Deus e, também em conjunto, sofre as consequências gerais. Em Avatar, mostra-se também que, sem a união do povo, não se inverte uma posição desvantajosa. É sempre bom assistir à esperança coletiva, ainda que ela também possa, muitas vezes, transformar-se em exércitos.

Mas algo que me despertou lá pelas tantas do filme (que, aliás, é longo, doi um pouco a cabeça, mas tudo bem) foi o pensamento: "Ah, ok, há algumas personagens femininas no filme. Mas todas elas possuem uma força e um poder que não mostra o feminino tal como ele é. Mostra mulheres que tiveram que se adaptar a uma realidade dura, seja ela capitalista ou mítica, para poderem ser aceitas". Assim é Grace, a cientista durona, mas que também tem um lado materno ao alimentar Jake. Assim é a capitã que xinga, pilota helicópteros e se sacrifica pela causa. Assim é Neytiri, guerreira e que recebe o arco de seu pai moribundo. E assim é sua mãe, feiticeira respeitada por suas palavras que, na verdade, não são dela.

E é aí que reside a compensação desta falta marcada acima: o feminino reside totalmente em Eywa, a divindade maior dos Na'vi e a qual todos protegem, pois dela dependem para viver. São delas as palavras proferidas pela mãe de Neytiri. É a Mãe-Natureza o todo feminino do filme, eixo central do enredo, que sofre pela ganância dos homens e a falta de respeito por seu equilíbrio natural. Ela é mostrada como a maior prejudicada quando é incendiada e destruída, mas é também ela quem consegue revidar, reunindo a força de todos que dela dependem e que lhe são gratos (incrível, não são os seres humanos...!) para o golpe final.

Claro que Avatar chegou na hora certa, com o momento ecologicamente correto. Porém, também ali, é a guerra sendo vencida pela guerra. Na realidade, não sei se a Mãe-Natureza agiria por meio de exércitos ao invés de, talvez - quem sabe? -, enchentes e outros fenômenos que não são contra-ataques, mas sim consequências. Mas é que guerra é brincadeira de meninos grandes, e esse filme, no fim das contas, é para eles.