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quinta-feira, 1 de agosto de 2013
Samba do só
O que foi essa atitude vil?
Eu nem sei o que dizer, viu
Só posso sentir decepção
Você decepou meu coração
Se não pode dizer por quê
Garanta apenas que isso
Nunca mais vai acontecer, porque
Minha certeza sempre foi na bondade
Quero crer num amor de verdade
E o que tenho no peito dá pra dar e vender
O que foi essa atitude vil?
Eu nem sei o que dizer, viu
Só posso sentir decepção
Você decepou meu coração
Sei que devo desejar sorte
Que sua vida corra como você quer
Mas sei que nela já não cabe uma mulher
Não cabe mais ninguém além de ti
Eu sei
Que o perdão é uma virtude, como queira
Mas fico triste quando fico de bobeira
Sozinha a minha mágoa há de sumir
O que foi essa atitude vil?
Eu nem sei o que dizer, viu
Só posso sentir decepção
Você decepou meu coração
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
Zumbizando
Essa noite o Zeca Baleiro desceu rodopiando e me fez escrever esses versinhos. O surreal foi que hoje de manhã os recebi por e-mail, porque tinha mandado pra mim mesma direto do meu Bloco de Notas do celular, e não lembrava de nada disso. Tem uma ideia científica na qual os 10 minutos que antecedem o sono são apagados da mente - ah, tá...
Já dizia madureza:
Beleza nao se põe à mesa!
Eu discordo, com certeza
É natural da natureza
Se inclinar a uma lindeza
Nao importa a riqueza
Vem lá desde a realeza
Fosse o duque ou a duquesa
O barão e a baronesa
Príncipe, princesa
Se nao tivesse essa fineza
O casório dava despesa -
- Pior no povo da pobreza.
Porque nao há no mundo destreza
Que se sobreponha à beleza:
Arruína fortaleza
Salva moça indefesa
A noite escura, deixa acesa
Frente à guerra, sai ilesa.
Por isso digo com certeza,
Na alegria ou na tristeza,
Dor de dente ou de cabeça,
Catarata ou língua presa,
Nao importa o que aconteça;
A vitória é da beleza.
Beleza nao se põe à mesa!
Eu discordo, com certeza
É natural da natureza
Se inclinar a uma lindeza
Nao importa a riqueza
Vem lá desde a realeza
Fosse o duque ou a duquesa
O barão e a baronesa
Príncipe, princesa
Se nao tivesse essa fineza
O casório dava despesa -
- Pior no povo da pobreza.
Porque nao há no mundo destreza
Que se sobreponha à beleza:
Arruína fortaleza
Salva moça indefesa
A noite escura, deixa acesa
Frente à guerra, sai ilesa.
Por isso digo com certeza,
Na alegria ou na tristeza,
Dor de dente ou de cabeça,
Catarata ou língua presa,
Nao importa o que aconteça;
A vitória é da beleza.
sábado, 3 de janeiro de 2009
Torto Soneto (ou 11/12/2008)

Quando a lembrança passa a valer
mais que a sombra do viver
e a força do que não aconteceu
é maior que se fincar no chão,
Quando não há jeito outro que partir
e é impossível ver o que há por vir
só nos resta o silêncio, o breu
dessa resignada ilusão.
E quando pudermos abrir as portas
novamente deste salão
e acharmos o amor que se escondeu,
Veremos o que de fato nos importa
pra solucionar nossa questão
e separar o que é seu do que é meu.
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
Capitu (ou flor cândida e pura)

[Imagem: www.abril.com.br -sei que é meio óbvio colocar os olhos da Maria Fernanda Cândido, mas eu concordo que ela tem tudo a ver com a personagem! E olhem o sobrenome dela e o título da postagem!]
Esta semana está passando na Globo a minissérie "Capitu". Acho que não sou a única a achar que essas minisséries da Globo (como "Hoje é dia de Maria" etc) devem ser muito boas, mas ficam injustamente num horário horrível de se assistir. Confesso que, neste horário e em férias, me encontrarão em frente ao computador, mas enfim: é um horário infeliz e pronto. Eu acabo nunca assistindo mais do que um capítulo -e nunca inteiro.
Mas calhou que, alguns minutos atrás, estava eu escovando os dentes e a minissérie começou. Falou sobre o sacerdócio de Bentinho e, depois, sobre o soneto que ele nunca escreveu, mas do qual escreveu dois versos, o primeiro e o último, numa noite de inspiração. Esta não-realização, talvez menos castigada por si mesmo do que o emplastro (ou a vida sem sentido e sem filhos) de Brás Cubas, não deixou de ser, para a vítima dos olhos de ressaca, uma frustração. O primeiro verso, "Oh! flor do céu oh! flor cândida e pura", e o último "Perde-se a vida, ganha-se a batalha" (logo em seguida trocadas as posições dos versos pelo próprio Bentinho, futuro Dom Casmurro), foram as únicas partes que ele conseguiu escrever de um soneto.
Eu me lembrava direitinho desta parte do livro (que, confesso com a maior vergonha, nunca terminei de ler). O motivo? Não sei exatamente, mas talvez seja porque, metida a "aventureira de papel e lápis" que sou, na época me coloquei a ajudar Bentinho e aceitar sua oferta: completei o recheio do soneto, exatamente nos dias 16 e 17 de março de 2002 (!). Espero que ninguém entenda isso como uma heresia ou algo assim, foi só para me divertir mesmo.
Soneto para olhos de ressaca
Oh! flor do céu oh! flor cândida e pura!
Contigo novamente à noite sonhara
e te faço ser pra sempre uma ave rara
nesta fonte inesgotável de loucura!
E como prova desta vil amargura
pois tão longe me encontro, e o som dispara
deste sino, ao sacerdócio a mãe mandara
sem poder contemplar-te a formosura,
escrevo-te estes versos sem saúde...
perdoe, musa, a simetria toda falha-
que falta faz o tocar do alaúde!
Mas digo que, pra não vestir essa mortalha,
e expirar pela metade, sem gozar da plenitude,
ganha-se a vida, perde-se a batalha!
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
Poesia de outro (ou Ouçam Little Joy)

Evaporar (R. Amarante)
Tempo a gente tem
Quanto a gente dá
Corre o que correr,
Custe o que custar...
Tempo a gente dá
Quanto a gente tem
Custa o que correr,
Corre o que custar...
O tempo que eu perdi
Só agora eu sei
Aprender a dar
Foi o que ganhei
E ando ainda atrás
Desse tempo
Tempo de não correr,
Nem de me encontrar,
Ah... não se mexer!
Beija-flor no ar
O rio fica lá
A água que correu
Chega na maré,
Ele vira mar...
Como se morrer
Fosse desaguar!
Derramar no céu,
Se purificar...
Ah... deixar pra trás,
Sais e minerais,
Evaporar...
[PS: a fotografia é minha]
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
Rap do poema
"Faz tempo que não faço poesia
(Poesia, palavrinha tão vazia
parece mais uma bexiga cheia
-mas não era vazia? - de ar)
Resolvi escrever sem rascunho
sem papel, caneta ou punho
nem graveto na areia,
vim direto digitar.
Pois na era em que estamos
décadas viram como anos
há muita pressa, minha gente!
Que estou fazendo aqui?
Ah, sim. Vim poesiar postagem
Que é de hoje a mensagem
um tanto quando indecente
do infinito de Emy."
(22/09/2008)
(Poesia, palavrinha tão vazia
parece mais uma bexiga cheia
-mas não era vazia? - de ar)
Resolvi escrever sem rascunho
sem papel, caneta ou punho
nem graveto na areia,
vim direto digitar.
Pois na era em que estamos
décadas viram como anos
há muita pressa, minha gente!
Que estou fazendo aqui?
Ah, sim. Vim poesiar postagem
Que é de hoje a mensagem
um tanto quando indecente
do infinito de Emy."
(22/09/2008)
segunda-feira, 9 de junho de 2008
Neuro+ótico

"Quero renovar meu mundo
Onde o tudo é sempre quase nada.
Quero girar pelas calçadas,
andar de mãos dadas com a solidão.
Quero dançar com sapatos
e ouvir os vibratos dos boêmios fugazes.
Não quero mais olhar pra trás,
nem chorar com o que deixou de ser
- quero mais é envelhecer
amadurecer minha concepção.
Quero bancar meus desejos,
aceitando os beijos que me trazes.
Quero as pazes de corpo e alma
ter na palma da mão meu perdão.
E assim eu sei de cor
que minha cor não voltará ao branco
não importa o tanto de alegria que vier.
Mas posso criar um novo tom
mudar o meu batom
e ser uma outra mulher."
(02/06/2008)
sexta-feira, 2 de maio de 2008
Pr´um dia de chuva como esse...

"Você pensou que nosso amor
era repleto de certezas,
mas de perto de mostrou
toda estranheza ao meu redor.
E o que antes me era o ser
algo sem eira nem beira se tornou,
mais rápido que o dia de Natal.
Só me fez ver que não era pra ser,
que o calo que eu sentia
não era natural.
Não foi por mal, vai ser pro bem.
E antes que diga meu nome,
tua fome será de outro alguém.
Faço as malas sem complicação
que meu coração está a me
esperar lá fora. Vou embora.
Você vem insistir e
escuta o que
não quer ouvir."
(novembro de 2006)
terça-feira, 8 de abril de 2008
Mulher Narcísica
"Se perguntar a alguém quem sououvirá mais de mil definições
escolha a que mais lhe interessou
e ela não lhe causará decepções.
Me veja como santa, como ré
me veja sonsa, sóbria, sagaz
pois eu me faço ver como quiser
e de tantos outros truques sou capaz.
Posso te enganar, te iludir
apunhalar seu coração sem prévio aviso
posso chorar e até te agredir
mas sempre ter no bolso um bom sorriso.
Pois quem sou só Freud explica
com um termo bem peculiar:
ele me chama Mulher Narcísica,
que só a si mesma sabe amar.
Mas não julgue o que não pode conhecer
não caia em ciladas -só nas minhas-
pois o destino desta mulher é padecer
do constante temor de estar sozinha."
(poema de julho de 2005)
segunda-feira, 14 de janeiro de 2008
"Hoje uso este tempo
pr´o sentimento poder dar vazão.
Não que eu pudesse
mas é que parece ter boa razão.
A dor que me causas
me tira de casa, me rouba o chão.
E por mais que eu tente
tu és resistente em meu coração.
Questiono o amor
e se aquele torpor lhe é pura essência.
Pra onde este foi
se ele compõe sua vil aparência?
A máscara cai,
e com ela se vai minha vã resistência.
E então fico só,
acumulando pó em tua ausência.
Peço liberdade,
estranha vontade de nos entristecer.
Não me abdico de culpa,
mas minhas desculpas não vais merecer.
Hoje usei este tempo
pro meu tormento tentar esquecer.
Mas eu não sei te amar,
e me dói sacar que isso não pode ser. "
(30/05/2005)
Eu fiz este poema há dois anos e meio, mas como os poemas em geral, ele é eterno pra quem um dia se identificou com ele.
pr´o sentimento poder dar vazão.
Não que eu pudesse
mas é que parece ter boa razão.
A dor que me causas
me tira de casa, me rouba o chão.
E por mais que eu tente
tu és resistente em meu coração.
Questiono o amor
e se aquele torpor lhe é pura essência.
Pra onde este foi
se ele compõe sua vil aparência?
A máscara cai,
e com ela se vai minha vã resistência.
E então fico só,
acumulando pó em tua ausência.
Peço liberdade,
estranha vontade de nos entristecer.
Não me abdico de culpa,
mas minhas desculpas não vais merecer.
Hoje usei este tempo
pro meu tormento tentar esquecer.
Mas eu não sei te amar,
e me dói sacar que isso não pode ser. "
(30/05/2005)
Eu fiz este poema há dois anos e meio, mas como os poemas em geral, ele é eterno pra quem um dia se identificou com ele.
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