segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Por quê eu gosto de Los Hermanos (10 motivos)




(capa do CD "Ventura")

Eu sempre tento explicar por quê eu gosto das coisas, sendo que não há motivos pra explicar as nossas preferências (ou há? acho que sim, mas eu sou teimosa, então vamos partir do pressuposto de que não). Já tentei aqui explicar, por exemplo, por quê gosto da série "Crepúsculo" (que, aliás, eu finalmente terminei de ler: fico devendo uma postagem a respeito). Enfim. Aqui eu tento falar de tudo o que gosto -e que tenho certeza de que não vou deixar de gostar depois que transcrever.
Eu gosto de Los Hermanos. Aquela banda, sabe? A da Anna Julia. A que muita gente olha as notícias, vê a comoção dos fãs e pensa: affe, esses roots/emo/indies deviam procurar o que fazer. A que entrou em "pausa por tempo indeterminado" há pouco mais de dois anos. Sinceramente, essa parte também me cansa um pouco. A da Anna Julia, a dos fãs chatos, a da espera incessante (essa me cansa menos, mas poxa, ninguém fica esperando que os Beatles voltem - aliás, eu também já fiz uma postagem polêmica, comparando as duas bandas, hehehe).
Vamos ao que interessa. Eu gosto de Los Hermanos porque:
1) da primeira vez que ouvi, a primeiríssima mesmo, não gostei. Porque eles ocupavam lugar no Disk MTV, que eu assistia por causa dos Backstreet Boys ou das Spice Girls. Mas aquela "Anna Julia não saía da cabeça. Ah, eu também não gostava muito da Mariana Ximenes. Mas eu gosto de mudar de ideia e mudei (sobre a banda, não tanto a Mariana Ximenes).
2) eu achava bonita a "Primavera" (Primavera se foi, e com ela meu amor/ Quem me dera poder consertar tudo o que fiz), mas era uma época que eu torcia o nariz pra músicas nacionais. No fundo, eu curtia.
3) da segunda vez que ouvi - não exatamente a segunda, mas depois de um bom intervalo de tempo -, foi porque meu ex-namorado e meu primo insistiram. Isso faz uns quatro anos (Cristo, nunca tinha parado pra contar!). Já disse que sou teimosa, então ignorei os comentários por mais um bocado de tempo. Até que, em tempos de Kazaa, Limewire etc., baixei "O vento".
4) quando ouvi "O vento", foi uma estranheza. Uma sensação de nostalgia, que hoje em dia assumo que está impressa em minha memória autobiográfica como desencadeador de prazer. Estimulações nervosas, atenção concentrada no som, novas conexões sinápticas e a livre associação com imagens bonitas. Na hora, baixei várias outras.
5) depois da primeira, foram "Primeiro andar", "Conversa de botas batidas", "Samba a dois", "Último romance", "O velho e o moço", "Sentimental"... Me interessava pelo título, prestava atenção nas letras. O ritmo me prendia, a harmonia dos instrumentos, a delicadeza da voz do Camelo e a boemia ultrasexappealaosmeusouvidos da voz do Amarante - timbres que, aliás, muita gente confude, mas eu me orgulho de não confundir ever.
6) as letras casam com o que sinto, o que penso, além de terem trazido novas visões. de paz e de estranheza. Tem uma prima (a mesma que tem medo da menina do blog!) que diz que as músicas deles lhe dão dor de barriga. Acho que é pela estranheza. Eu sempre gostei de cólicas (hoje não gosto tanto) e de dores musculares. Eu gosto do que é estranho - o que se contradiz à minha teimosia, que nada mais é do que a intolerância frente ao que não é comum, que é "estrangeiro", "strange", "estranho". Vai ver, também sou estranha.
7) tenho lembranças afetivas quando ouço Los Hermanos. Algumas bem ruins, o que me fizeram sacrificar uma ou duas músicas que nunca mais ouvi. Mas a maioria boas, que não são realmente nomeadas ou claramente explicadas. Árvores, chinelo, verão, paralelepípedo, mãos dadas and so on... Uma cadeia de significantes, com todos os seus hiatos.
8) os shows são maravilhosos. São homens exalando amor (isso foi hippie demais, realmente. Sorry. Mas os shows são inexplicáveis, tem que ir pra ver. Fui em três, incluindo um no Pão de Açúcar e um de despedida, na Fundição Progresso).
9) por começar a gostar deles, comecei a me interessar mais por música brasileira. Um amor atrai o outro. Marisa Monte, Mombojó, Adriana Calcanhoto, Roberta Sá, Caetano Veloso, Chico Buarque, Céu, Roberto Carlos...
10) me faz chorar - e é feito pra rir (final da música "Cher Antoine").

Casando...



Ontem teve casamento. O primeiro da minha turma de amigos do colégio, a Galerinha do Mal, como um deles batizou. A Dri, a amiga que casou, é um dos amores da minha vida, daquelas pessoas especiais e que me fazem bem mesmo à distância, porque se preocupam comigo e, mesmo nos draminhas burgueses dos quais ela pouco faz parte, consegue me dar um norte porque me faz lembrar quem eu sou e sempre fui.
O casamento foi lindo. Me fez pensar em como o amor é algo sagrado e que, por mais que em alguns momentos olhemos em volta e vejamos muitos deles sendo destruídos (sem identificar culpados reais), fico tranquila de saber que sempre haverá momentos como os que vivi ontem, olhando para eles e sabendo que, sim, há sempre a intenção verdadeira de que ele dê certo.
Ah, claro! E eu fui madrinha!!!

domingo, 30 de agosto de 2009

Pílula de Pensamento 4


"A ciência se propõe a ver o passado e o futuro, mas só a arte consegue ver o presente."


Enviado de meu iPhone

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Do Amor I




Muitas vezes me pego pensando o que é o amor. Talvez porque essa palavra estampe mais da metade dos títulos de filmes românticos, surja em pelo menos 99% das músicas sertanejas, tenha mil e uma conotações e usos possíveis que, além de tudo, são muito bem aproveitados pela indústria do consumo. O amor vende.

Um tempinho atrás, descobri que uma amiga fez um blog que falava de amor. Mas ela fez uma ou duas postagens, deixando-o pra trás junto com um rompimento amoroso. Não é fácil falar de amor.

Mais fácil mesmo parece ser pensar sobre ele. Teorizar sobre algo que nem sequer conseguimos bem definir. Aos poucos, vou me deparando com ideias a respeito: de Stendhal a Comte-Sponville, agora vejo uma no meu livro sobre desenvolvimento humano, comprado no meio da faculdade, e que resolvi olhar com mais atenção só agora.

R.J. Sternberg, em 1985, criou a "Teoria Triangular do Amor". Por mais que, de cara, pareça algo favorável à poligamia, não é bem isso o que o autor (ou autora, não sei) defende; a teoria fala, na verdade, que o amor possui padrões, e que eles sempre dependem de três elementos. Os três são: a intimidade, a paixão e o comprometimento.

E, assim, Sternberg fala do não-amor (quando não há nenhum dos três, e que abarca a maioria dos relacionamentos interpessoais), da afeição (só há intimidade), a paixão louca (só há paixão), o amor vazio (só há comprometimento). Também há o amor romântico (paixão e intimidade, porém sem comprometimento), o amor companheiro (intimidade e compromentimento, sem paixão) e amor ilusório (há paixão e comprometimento, mas não intimidade). E, claro, o amor consumado (paixão+intimidade+comprometimento, que é, segundo Sternberg, mais fácil alcançar do que manter).

A princípio, pensei ser muito reconfortante olhar assim, categorizadas, as formas de amar e se relacionar - e que, imagino eu, só podem ser definidas depois de algum tempo. No entanto, logo comecei a ficar um pouco confusa: como podemos dizer que amamos um amor de tipo "vazio"? Será que o amor só por comprometimento, sem intimidade nem paixão, pode ser chamado de amor? A mesma coisa para o amor ilusório, e assim vai. Talvez o amor companheiro e o amor romântico sejam mais aceitos. Porém, olhando-os em categorias, vemos que eles ainda são capengas: nenhum chega aos (tri)pés do amor consumado. Hoje, com tantas pessoas tentando (co)existir, fica difícil ser único; por isso, nos especializamos cada vez mais em uma coisa só. O amor pode ser especializado?

E aí, será que é amor? Será que amamos? Não sei... Talvez aquela propaganda de perfume possa me responder, assim que eu comprar um frasco, irresistível e deliciosamente desenhado. Mas aí já não sei se quero saber; talvez esse amor engarrafado não faça o meu tipo. E nem aquele outro.

Fico sem saber.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

My Blueberry Nights


Hoje assisti a esse filme de Won-Kar-Wai de 2006, traduzido por "Um beijo roubado", com a Norah Jones e o Jude Law. Ele fala de uma mulher que, perdida por ter sido trocada por outra (não achei termo melhor), começa a conversar com o dono de um café que já viveu algumas coisas, vendo-as então de outro ponto de vista ou, pelo menos, deixando-as mais leves pra ela, recém-ferida. Ela decide viajar para se encontrar, mantendo contato com ele por postais e cartas, enquanto ele a procura incessantemente por telefonemas e também postais, sempre sem sair do lugar - caso ela volte.
Não sei direito o que falar sobre o filme sem acabar contando o final ou sendo repetitiva (falando quase a mesma coisa do que o "Caramelo" na antepenúltima postagem). Mas vale a pena assistir, principalmente por quatro motivos: 1) a estreia na atuação de Norah Jones; 2) a atuação de David Strathairn; 3) a trilha sonora e 4) o tal do 'beijo roubado', maravilhoso - e não só porque envolve o ainda mais maravilhoso Jude Law: sim porque ele tastes tão delicioso quanto uma blueberry pie.