sábado, 20 de setembro de 2008

"51, uma..."


Vejo as propagandas políticas e fico pensando que fim levou a arte da propaganda. Não que eu seja uma entendida disso (amigos meus, como a Rê do blog que eu recomendo aí do lado, poderiam falar muito mais sobre este assunto), mas a verdade é que as boas idéias sempre me atraíram. E -imagino eu- propagandas tinham, inicialmente, a finalidade de convencer alguém através de boas idéias. O que defino como boas idéias? Não as classifico através de um olhar da ética ou da moral, mas simplesmente da capacidade criativa, da inteligência, da poesia. "Boa idéia!", costumava-se dizer.

Acontece que, em meio a comícios, paródias de músicas sertanejas e carros visualmente poluídos, algumas frases me chamam a atenção -nenhuma em especial, pois são todas parecidas. Me chamam a atenção porque nelas não vejo nada mais do que a tentativa de atrair o público a qualquer custo. E o caro preço a ser pago, além da falta de criatividade que define uma "boa" idéia, envolve também a ética e a moral que definem uma idéia "boa".

Não gosto de ser pessimista, mas duvido que haja veracidade e autenticidade numa só frase daquelas. Duvido que elas tenham realmente saído da boca do fulano cujo nome está em cima de tais palavras. Em alguns casos, duvido até mesmo que ele tenha ao menos as lido em um papel e aprovado antes que virasse adesivos ou faixas.

Na verdade, não são só as propagandas políticas que mexem comigo, são as propagandas em geral. Trata-se da venda das idéias -e, aqui, é legal a gente pensar nesse termo: "venda das idéias". A palavra "venda" pode ser do verbo vender, mas também pode ser um pedaço de pano que amarramos sobre os olhos, nos impedindo assim de enxergar.

Palavras mexem com a gente. Gente é feita de palavras. Palavras são armas. E penso se ainda há tempo para fazermos algo a respeito -e tratarmo-nas (as palavras) com respeito.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Mi Confesión (ouça Gothan Project)

[Imagem de Beatriz Milhazes -aliás, ela está na Estação Pinacoteca até novembro, não percam]



Minhas confissões, escritas no título, se referem a um lado particular de minha vida: o lado relacional. Minha relação com o outro. Estou cheia de dedos pra escrever, pois é difícil, mais difícil do que parece colocar ao mundo através da linguagem escrita uma confissão dessas. Para alguns, deve ser bem mais fácil.



A questão é: estou apaixonada. Agora que o escrevi, errando diversas vezes a digitação da palavra “apaixonada” (agora acertei de primeira), é um pouco estranho. Soa exagerado. Parece até mentira. Mas, no fundo, imagino que não o seja. Sei que não é, porque conheço os sintomas. Já me apaixonei diversas vezes. A diferença é que... agora é diferente. É isso. Vou tentar explicar.



Tenho uma noção do por quê posso dizer que agora é diferente. Não é porque é a primeira vez que sou correspondida, ou o oposto disso –não mesmo. Já fui diversas vezes pega pelo platonismo, aquela paixão mais do que idealizada, projetiva. E não tenho a pretensão de achar que, dessa vez, o padrão esteja muito longe do habitual. Não, não. As listras podem não ter as mesmas cores, mas ainda são listras. Também já tive o prazer e os desprazeres de ser correspondida. E, claro, o eu nisso tudo nunca foi igual. Eu fui transformada por minhas paixões. E é este um dos motivos por quais considero que agora seja um pouco (mais) diferente.



Uma de minhas paixões correspondidas cresceu, viveu sua intensa e curta vida como adolescente inconseqüente, envelheceu e se tornou amor. E este amor, posto que é chama, era pouco e se acabou. Não duvido que, na verdade, eu esteja escrevendo tudo isso porque essa dor da queimadura que se tem quando um amor acaba (consigo mesmo e com muitos outros colaterais) ainda dói. “Falar do que foi pra você não vai me livrar de viver” –é isso o que estou ouvindo, aleatoriamente pelo destino, agora. E a dor se aproxima pisada a pisada com meu aniversário, é inegável. Acabei de ver que, na data que se encontra no subtítulo*, eu havia digitado 2004 ao invés de 2008. Não deve ser mentira, o inconsciente existe, explique-o como quiser. Mas falar de psicologia seria falar de outra paixão. Voltemos ao assunto.



Não quero falar do quanto tive que amadurecer durante minha passada pelos quadros de Munch. Eles não são fáceis, apesar de tão instigantes pra mim. Acabo voltando a eles, de vez em quando, por simples prazer, mas somente a passeio, não para me instalar de modo tão desconfortável e forçado, exilado, como naquela época. Época que, aliás, fez o primeiro aniversário dez dias atrás. Sim, assim como Anna O., que vivenciava o passado no presente, parece que um pedaço de mim o está fazendo agora.



Mas os caminhos sempre têm um preço –e, quando você dá mais pelo tíquete, recebe o troco. No meio de tudo isso, dei uma folga pro lado negativo da distimia que sucede um evento enlouquecedor, me rendendo à mania pelo menos por algumas horas, escravas ensandecidas –como eu- da noite. E foi aí que, que sorte a minha, encontrei um outro alguém. Eu não sei, graças a Deus, porque seria muito chato sabê-lo, que conjunções místicas e astrológicas estavam sendo realizadas naquele momento. Só sei que Baco ajudou muito neste encontro. Sim, eu estava bêbada, maníaca. E por isso que foi tão bom. Mas, apesar da embriaguez, algo me dizia, apesar do medo, que aquele encontro não era à toa, ele viria a me dizer algo mais. E, aos trancos e barrancos, realmente tem me dito, ainda agora, quase nove meses depois.



Por que aos trancos e barrancos? É este o meu desespero único nessa aventura nova em que tenho me... bem, me metido. Aprendi a não falar com estranhos desde pequena. E quem são estranhos? São pessoas a quem não fomos apresentados, ou seja, de quem não sabemos o nome. Pois a situação em que estou, com esse outro alguém, é uma situação na qual, por essa lógica, também não devo confiar, visto que tampouco me foi apresentada previamente ou foi, por algum batismo posterior e consensual, nominada.



Jamais imaginei me colocar neste tipo de relação, mesmo porque, com o amor que me tinha, eu já não pensava que teria um dia que estar em outra relação. E é bom agora saber que mudanças nos planos não dependem apenas de nós, elas exigem o que não somos capazes de dar por conta própria. Não somos mais donos do nosso destino a partir do momento em que a vida implica a presença de mais alguém. E, mesmo assim, a soma de um e um outro é ainda maior do que dois. Tendo este dado guardado em meu bolso, me arrisco a experimentar.



E como! É uma nova qualidade, nem pior nem melhor (por mais que eu tenda a comparar), de encontro. Envolve, sim, o tato, a visão, a audição, o olfato e o paladar – a sensualidade em seu sentido mais puro, impuro, imundo, mundano, humano. Envolve uma atração física e espiritual que me revigora, apesar de tender a me atar em correntes, já que muitas vezes até me tira o sono. São as velhas listras...






(* texto adaptado)

domingo, 7 de setembro de 2008

10 Verdades Inconvenientes

[Imagem achada na internet]


1) Temos uma relação de amor e ódio com a rotina;
2) Homens e mulheres pensam, agem e vivem diferente;
3) Vovós são meigas e amadas porque não têm mais TPM;
4) Até o mais anárquico é simples reflexo de sua cultura;
5) Psicoterapia não é pra qualquer um ;
6) É fácil mentir no MSN;
7) Os Los Hermanos são os Beatles brasileiros ;
8) Expectativas são excesso de bagagem*;
9) A ciência é a base da verdade, mas tem ossos fracos;
10) Todas as verdades acima são questionáveis... mas eu duvido.


(*OBS: esta frase não é minha, é de um behaviorista chamado Murray Sidman. As outras são)

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

I´m still here

Yo solo quiero decír que aún estoy aqui y que no que he olvidado de mi blog. A los lectores y amigos (y a yo misma), ya vuelvo. Es que mi libido no está tan direccionada a unas cosas que amo hacer tal como escribir.

I just wanna say that I´m still here and haven´t forgotten my blog site. To the readers and friends (and to myself), I´ll be back soon. It´s just that my libido is not so directed to some things that I love to do like writing.

Acho que esta frase de cima é apenas uma auto-afirmação. De toda forma, aviso a todos, inclusive a mim mesma, que logo voltarei a postar aqui. Já estou com várias idéias, só não estou com a libido direcionada para escrever...

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Meninos não sonham

[Imagem: "Sonho causado pelo vôo de uma abelha à volta de uma romã, um segundo antes do despertar", 1944, Salvador dalí, óleo sobre tela, 51x40,5 cm. Lugano-Castagnola (Suíça)]

Depois de ter aulas sobre a teoria de Jung, há dois semestres, plantei e estou cultivando uma idéia um pouco louca -e que, óbvio, provavelmente não colocarei em prática (como já não estou).


Meu professor odiaria ver suas palavras tomadas tão ao pé da letra assim, mas de qualquer forma não vou identificá-lo. Este professor "X" dizia que os sonhos (os sonhos mesmo, aqueles que temos quando dormimos, e não os que temos quando estamos acordados) são indícios da nossa vida psíquica, ou seja, eles refletem o que temos ali dentro, nos recônditos do inconsciente. Assim, pacientes que costumam sonhar bastante são aqueles de mostram uma maior riqueza psíquica, têm mais "recheio na cachola". E com esses é mais fácil trabalhar com metáforas, com sonhos, com associações livres. Jogando mais pesado, são pacientes que aproveitam melhor a técnica da psicanálise e a psicologia analítica, simplesmente porque é meio como se já tivessem os instrumentos necessários pra brincadeira.


Faz sentido se pensarmos que os sonhos têm a ver com o que pensamos durante o dia e que as mulheres geralmente se lembram mais dos sonhos do que os homens. Ora, nós geralmente pensamos muito mais sobre questões emocionais, psicológicas, pensamos em nós mesmas, em como melhorar como pessoas. Já a maioria dos homens, bom... Claro que conheço alguns -muito sensíveis - que sonham. E é nisso mesmo que tudo faz sentido.


Enfim, o que concluí disso tudo, juntando aos pensamentos meus de cada dia, é que, pra achar um cara legal e que valha a pena (leia-se um cara suficientemente sensível pra entender ao menos aquelas explicações esdrúxulas que a gente costuma dar quando fica brava do nada, ou tem um surto e começa a chorar, não necessariamente na TPM), já há uma maneira cientificamente (Psicologia é ciência?) comprovada: você inclui, na lista de assuntos para uma primeira conversa, a seguinte pergunta - "Você tem muitos sonhos à noite? De que tipo?"


Exemplos de respostas e o que você deve fazer:

1) "Não, nunca sonho!" - esqueça.

2) "Sonho sim, mas nunca lembro o que era" - tente forçar um pouquinho, senão... esqueça.

3) "Sonho de vez em quando, principalmente de quarta-feira, depois do jogo. Sonho com o Timão!" - você tem pelo menos três motivos pra desistir: o sonho é muito raso e não diz nada do inconsciente dele; o certo é "às quartas-feiras", e não "de quarta-feira"; e Timão? Sem comentários...

4) "Sonho direto, cada dia um sonho diferente. Essa noite sonhei que estava galopando em um unicórnio, segurando seu chifre, e entrando num lugar cheio de coisas grandes e pontudas..." - Er... eu não arriscaria. Motivos quase explícitos. But take your chance.

5) "Sim, tenho alguns sonhos interessantes. Te conto a caminho de casa" - Uhu! Quão moderna você é??


A questão é: todo cuidado é pouco. Se podemos ter às mãos mais uma arma que seja, então que a tenhamos.