sábado, 26 de dezembro de 2009

Meus Tops de 2009



[Beatriz Milhazes, "Noites de Verão"]

Nestes últimos dias do ano, quero tentar fazer um Top List bem particular, com o que eu considero legal de listar sobre o ano. 2009 está sendo MARA pra mim, tenho tido novas experiências e crescendo muito com elas. E as coisas que vivi não necessariamente têm o tamanho de uma descoberta científica, mas e daí? São minhas, então não há melhor lugar para falar delas...

*** TOP LIVROS***
(é claro que este não ia faltar, ainda mais para alguém como eu, que realmente lista os livros que leu durante o ano):

3º: "A outra vida de Catherine M.", de Catherine Millet. Não comentei antes sobre este livro por pura falta de tempo, mas ele é maravilhoso para toda mulher que ama (seja um homem, seja o trabalho, seja si mesma e seus desejos mais paradoxais) e entra em crise por isso.
2º: "Antes do baile verde", de Lygia Fagundes Telles. Este ano, não só conheci a Gi (amigona com quem vivo durante os dias úteis), mas também ela própria me apresentou um novo amor, que é essa escritora maravilhosa - as novas edições têm capa da Beatriz Milhazes. Genial. Que contos, que contos!
1º: "A insustentável leveza do ser", de Milan Kundera. Este me confortou em um momento não tão leve, e só sei que ainda quero lê-lo mais vezes. Sou tanto Teresa quanto Sabina. Assim como a Catherine lá de cima.
Menção honrosa a "Leite Derramado", do Chico Buarque, que terminei de ler há dois dias e já me apaixonei. Não entrou no top principalmente porque não teve tempo suficiente de virar amor.

*** TOP PROGRAMAS SOLITÁRIOS***
(já que foi um ano em que aprendi a ficar mais sozinha)

3º: Curso de Feminilidade na visão da teoria lacaniana. Esse parece impossível, mas é verdade. Frequentei o curso por conta, novamente em um momento não tão leve. E foi como me sentir preenchida, entendida. Nós, mulheres, somos essencialmente histéricas, buscando muitas vezes satisfazer ao desejo do outro - eis o enigma do nosso próprio desejo.
2º: Ida ao cinema para ver "Caramelo". Esse eu já comentei aqui, e até hoje me orgulho desse start!
1º: Período meio insano de academia. Já passou, infelizmente, mas eu vivi umas boas semanas num pique invejável para ir à academia do prédio à noite e ficar lá até o porteiro me mandar embora. O ruim é que eu não dormia muito, mas sinto falta daquela energia toda.
*** TOP PROGRAMAS COM COMPANHIA ***
(vai ter que ser de cabeça mesmo, acho que assim é que vale!)
3º: Praia com amigas da facul. Foram só dois dias, mas foram bem intensos, principalmente pelas conversas regadas a... líquidos. E ainda teve festinha da família da Lívia!
2º: Curitiba. Adorei a família da Gi, a cidade bonita e os lugares que conheci. Foram divertidíssimos, deliciosos mesmo!
1º: Minha formatura! Claro que tinha que estar no topo, pois minha serotonina estava a mil durante cada segundo daquela noite. Foi perfeita e merecida pra todos nós.
*** TOP PROMESSAS CUMPRIDAS ***
(há!, esse vai ser bom)
3º: Frequentar uma academia. Tudo bem que é furreca, e tudo bem que não frequento de modo assíduo. Mas, comparando com o ano de 2008, a coisa foi bem melhor!
2º: Dedicar muitos esforços no trabalho. Na verdade, confesso que esse não foi realmente um esforço, já que eu gosto tanto do que faço que fica fácil aprender. Mas estou colhendo meus frutos agora e claro que estou muito feliz.
1º: Aprender a cozinhar. Não preciso nem dizer que ainda não sou o Jamie Oliver, mas já consigo virar um omelete sem causar acidentes, fazer um arroz bem gostoso e legumes também. Enfim, o beabá da coisa finalmente foi concluído!
*** TOP PROMESSAS VAZIAS ***
(vou listar só três, mas sempre há muito mais do que eu
gostaria de ter feito e não fiz. Essas voltam pras Resoluções 2010)

3º: Voltar para as aulas de canto. Quero muito voltar a cantar e, claro, melhorar e me sentir mais segura. 2010 ninguém me segura, é assim mesmo que eu vou sublimar tudo!
2º: Emagrecer 6kg. Já nem me peso mais, mas sei que não rolou. Óbvio. Mesmo porquê, vivo oscilando sobre querer mesmo isso ou não - agora, no verão, é claro que eu queria.
1º: Dedicar-me mais ao trabalho. Acharam mesmo que eu me contento com o tanto que fiz?? Tolinhos!! Sei que fiz muito, mas tinha que ter estudado muito mais, feito muito mais. Sempre. Droga.
(Continua...)

domingo, 29 de novembro de 2009

Entubados (ou aguardando Alice de Tim Burton)


Em um dos (atualmente) raros momentos de "curta-seu-hobby", estava eu tocando violão, quando meu pai decidiu afiná-lo. Eis que vai ao computador, entra na internet, digita "youtube.com" e coloca na busca: "afinar violão".
Eu, que pareço mais velha que meu pai (digo isso não por achá-lo velho, mas sim pela contradição da frase), acho que não vai encontrar nada, e comento que os vídeos deveriam apenas mostrar propagandas de afinadores portáteis, ou algo que o valha. Eis que, do quarto de passar, ouço uma voz masculina explicando qual casa dedilhar para afinar a primeira corda, e então um som: dooong. E assim vai, mostrando passo-a-passo o processo que escuto desde pequena, que é o doce afinar das cordas, uma a uma, buscando a harmonia final.
Dei o braço a torcer, claro. Comentei algo como: dá pra achar de tudo aí hoje em dia, ao que meu pai concordou e, logo após conseguir que minha cantoria soasse menos desafinada por conta da afinação do acompanhamento, passou a procurar músicas das décadas passadas. "Como eram bonitas! As de hoje não dá nem pra aguentar".
Foi então que me lembrei da minha busca, no ano passado, por algo como "pontos de tricô": realmente encontrei diversas aulas, que não substituiriam um professor ao vivo (como minha tia, que me ensinou de modo muito mais preciso as laçadas e os nós na lã), mas servem pra quem tem mais disposição e persistência para rever o mesmo vídeo on and on do que tempo ou contatos sociais para tomar umas aulinhas.

Pensando assim, vale muito a pena! Em uma busca rápida, encontrei vídeos que ensinam como "lavar os cabelos", "depilar perna", "tirar respingos de tinta da pintura do carro", "dançar macarena", "desenhar sketches", "tirar fotos", "fazer sorvete" e por aí vai. E, claro, também é possível disponibilizar seu próprio vídeo e ensinar à humanidade algo que seu talento domina, ou simplesmente que você ache importante que os outros vejam (ou não). Eu mesma - lembrei agora! -, tenho uns três vídeos disponibilizados, inclusive com a tal da cantoria...

Fato é que, em tempos de youtube, dá pra se ver de tudo: se o céu é o limite, esse céu é a imaginação de cada um. E ela pode nos levar a caminhos tão intensos quanto um filme de Tim Burton. É isso que tanto atrai quanto apavora quando sabemos que temos tanto poder ao alcance dos olhos.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Feriado


Hoje é feriado. Geralmente, o que perguntamos na véspera de cada um é: "O que fazer no feriado?", mas dificilmente nos lembramos primeiro das obrigações de cada data que se aproxima; já planejamos direto nossos prazeres, a viagem pra praia, o que levar ao sítio, aqueles filmes da Mostra, etc.

Hoje é dia de Finados. Nunca vi nenhuma pesquisa sobre o tema, mas acredito que, a cada ano, menos pessoas vão primeiro aos cemitérios e rezam uma missa para, somente depois, descer a serra. Por que isso acontece?

As respostas devem ser múltiplas. Desde as desculpas - falta de tempo; o trânsito que leva pra chegar aonde queremos já ocupa metade do lazer; stress; morar longe; ser fora de mão; ser fora de moda. As outras respostas, que esbarram mais em questões sócio-culturais, sugerem o abandono de hábitos, costumes, rituais, antes tão necessários.

Os rituais de passagem, como os velórios, as rezas, começaram a existir pela dificuldade (assim entendem os antropólogos) de lidar com a morte, inerentes ao homem - tanto a morte quanto a dificuldade. Assim, fazer oferendas, dedicar um lugar especial ao corpo, celebrar são formas de tornar a morte mais "palpável", mais "significável" - mais "controlável", no fim das contas. Fazer rituais, portanto, seria ter um mínimo de rédeas em algo que tanto nos assusta.

E será que, hoje em dia, realmente não precisamos mais deles? Será que conseguimos uma forma superior de lidar com o inevitável, elaboramos a coisa de um tal jeito que já entendemos o ininteligível? Ou será que simplesmente nos deixamos levar por outros interesses menos nobres e mais imediatistas, deixando de lado obrigações que nossos antepassados, há tanto tempo, sentiram necessidade de cumprir?

Para as crianças de hoje, que desde cedo entram em contato com cenas violentas de filmes de terror e de noticiários da vida real, não acredito que seria menos produtivo ir ao cemitério, com sua família, visitar os que já se foram. Saber um pouco, quem sabe, da história dos que estiveram aqui antes dela, e que, por isso, ajudaram a tornar o mundo do jeito que lhe foi apresentado ao nascer. Ou, ao menos, se familiarizar com os sons dos cantos nas capelas, o cheiro dos incensos, o silêncio dos túmulos. E, então, com as velas acesas, juntas as palmas das mãos e agradecer pela proteção e pelas bênçãos, e desejar que estejam em plena paz e serenidade.

sábado, 31 de outubro de 2009

Preenchendo vazios

A vida é permeada de encontros. No meio deles, em frestas multicor de flashes sobrepostos, há espaço para a anti-matéria da fortuna: os desencontros.
Desencontros são colisões, fenômenos de encontro e afastamento pareados em velocidade, igualmente velozes.
Mas, neste tráfego intenso, também residem ilhas de vácuo, vazios a se preencher. São os reencontros.
Eu também estava com saudades. Foi bom te encontrar. Mas agora preciso colidir novamente, até a próxima (ilha)!

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Aconchego


Aaah. Já passa da meia-noite. Sexta-feira. Peguei essa foto linda da minha prima Cá. Cansada, mas com saudades do meu blog. Aproveitando que meu inconsciente está me chamando pro mundo dos sonhos, vou tentar fazer aqui uma associação livre: dizer o que me vem à cabeça quando vejo essa imagem.
- Infância
- Liberdade
- Up! Altas aventuras (maravilhoso)
- Peter Pan
- Amizade
- Família
- Companhia
- Felicidade
- Amor
- Paixonites
- Cabeça nas nuvens
- Sonhos
- Por hoje, fui... Boa noite. Que, num país em que se roubam provas e o presidente não completou os estudos, só me resta dormir e tentar achar uma resposta pra minha persistência em tentar ser alguém na vida a partir do meu conhecimento.